
O álbum "João Gilberto" lançado no ano de 1973 pela gravadora Polygram, com o selo da Verve. A produção do álbum ficou a cargo de Rachel Elkind e Wendy Carlos serviu como engenheira de som. A cantora Miucha participa do álbum fazendo background vocal em "Izaura", última faixa do disco. Ficha técnica: João Gilberto: Violão Sonny Carr: Bateria Arranjo: João Gilberto O disco original em formato LP foi relançado em 1988 no formato CD. São dez faixas que vão entre "Águas de Março" do Tom Jobim à "Izaura" de Roberto Roberti e Herivelto Martins, passando por "Na Baixa do Sapateiro" de Ary Barroso e "A Falsa Baiana" de Geraldo Pereira. A harmonia bossanovista dá o tom mas, no todo, pode ser considerado um disco de samba. Os arranjos se limitam ao violão e voz de João e à bateria discreta de Sonny Carr, propiciando ao ouvinte uma audição quase contemplativa do estilo gilbertiano. A Capa: A capa do disco, criada por Lobianco, quase toda branca, tendo ao centro o rosto do João e seu nome repetido em sequência numa edição fragmentada que lembra poesia concreta, deu aos fãs do músico a maneira carinhosa de chama-lo "o álbum branco do João Gilberto", numa referência ao White Album, dos Beatles. A Bossa: Vale lembrar que a Bossa Nova não é uma música em si mesma, como o rock, o frevo ou o baião, mas é sim uma maneira de interpretar a canção do ponto de vista harmônico, dando-lhe um ritmo. Isso é o que o músico, compositor e violonista João Gilberto fazia como ninguém. No livro "Chega de Saudade" o escritor Ruy Castro, autor da obra, diz que o músico J. Gilberto, sozinho, foi responsável pela criação da bossa nova. Exagero, ou não, é certo que ninguém incorporou tanto e tão bem esse gênero musical que atravessou fronteiras e influenciou artistas do mundo todo, até os dias de hoje. O Músico: João Gilberto Prado Pereira de Oliveira nasceu no Juazeiro, Bahia, em 10 de junho de 1931 e veio a falecer no Rio de Janeiro, em 6 de julho de 2019. Aos 14 anos ganhou seu primeiro violão, instrumento que o acompanhou por toda a vida. Desde o lançamento do compacto que continha "Chega de Saudade" e "Bim Bom", munido apenas da voz e do violão, João Gilberto começou uma revolução na música mundial. Dono de uma sonoridade original e moderna, com foco "obsessivo" na precisão que dava à execução, tanto do violão quanto da voz, João Gilberto levou a música popular brasileira ao mundo, principalmente para os Estados Unidos, Europa e Japão. Sua influencia no jazz americano do século XX é inegável e deu origem à álbuns clássicos, como o gravado com o saxofonista Stan Getz "Getz/Gilberto" em 1964. Considerado excêntrico e recluso, o músico não gostava de dar entrevistas e se apresentava com bastante esporadicidade entre um show e outro. Dono de um ouvido absoluto, tinha a mania de pedir silêncio à plateia e interrompia a canção ao menor ruído, chegando a abandonar o palco nalgumas de suas apresentações. João é ganhador de prêmios importantes nos Estados Unidos e na Europa, como o Grammy, em meio à beatlemania. A discografia do músico conta com 11 álbuns de estúdio, 21 álbuns ao vivo, 7 singles, 3 EPs e uma infinidade de coletâneas, participações e álbuns tributo. Com tudo isso ouvir ao João Gilberto se faz imprescindível para conhecer a nossa música.