Universo do Canto falado é o paralelo entre o concreto e o imaginário Nordestino, onde o abstrato toma forma, ganha asas e toca o céu da boca do mundo. Nas linhas afiadas de um RAPentista, rimas cortam e costuram os contratempos, reconfiguram um novo tempo onde já não cabia o espaço, fendas de fogo saem da voz de uma fera interiorana, é a anunciação de que a era do gelo está prestes a se derreter para dar lugar a vegetação verde da poesia, quando nada mais se via no mundo, a própria natureza humana se recriou e venceu o mundo vazio, a indústria do plástico entrou em decadência quando o homem voltou a ser animal e fez as pazes com seu planeta, o dinheiro nada comprava alí, pois a simplicidade era tão grandiosa e farta que já não havia mais fome e sede de ego. No dia que o mundo parou, um poeta cantador uniu versos, criou pontes, venceu a morte,pois até a morte o respeitou pelo seu propósito de vida, ele tinha uma missão, ser o construtor dos portais dos sons, das conexões de almas com corpos, no dia que o silêncio imperou e que o cinza tomou conta dos seres e eles se tornaram tóxicos, se fez necessária a recriação do verbo, os motes diversos vinham de tão longe que se chocaram com as estrelas e assim deram vida ao universo do canto falado.