Rainha dos Raios é um disco de amor. E não só no sentido daquilo que atormenta as nossas vidas. Amor em seu sentido pleno, potência máxima de vida e delírio transcendental: preciso transbordar para fora da prisão do meu ser. Quer a todo custo transgredir o impossível e realizar o que nem Michelangelo ousou na arquetípica imagem da criação do Homem por Deus na Capela Sistina. Quero encostar, grudar, me misturar com o outro, de novo e de novo. E assim Alice escreve e canta Eros, em todos os formatos e estilos, do trágico ao cômico, da balada ao pop eletronizado, do chic ao brega. Obra erótica porque, afinal, a rosa do vento não vibra sem amor. Nada virá sem amor Abre no gozo puro do nada, diante do Outro soberano e voraz: Ele quer me destruir. Eu não sou ninguém. O Outro que me engole ou para dentro de onde me deixo engolir (...) – Maria Homem, 2024.